Griffith - Bom Dia, Babilônia.
Pode ser que muitas coisas já aparecessem, dispersas pelos filmes de um ou dois rolos que surgiam às centenas naqueles primeiros anos em que o cinema apenas engatinhava. O mérito de Griffith, como nos fala Luiz Carlos Merten, é o de sistematizar e integrar à produção hollywoodiana todas essas novidades que andavam esparsas.
Griffith percebeu que o movimento da câmera, a diferença de planos, podia conferir intensidade dramática ao relato; lição absorvida de seu mentor Edwin S. Potter. O objetivo principal de Griffith era narrativo, ele queria contar histórias e para isso teve de dominar a linguagem e propor coisas novas aos espectadores.
Criou o flashback em The Adventures of Dolly, introduziu o plano americano em For Love Gold, desenvolveu o princípio da montagem paralela em The Lonely Villa – onde as cenas de um personagem se alternam com a de outro até eles se encontrarem. Quando iniciou a rodagem de O Nascimento de Uma Nação (seu destaque), ele já era veterano. Com este filme - ideologias a parte - ele criou o que não deixa de ser uma metáfora do nascimento do próprio cinema; consolidou a revolução que já vinha desenvolvendo e estabeleceu um padrão de narrativa. Foram 1500 planos, numa duração de 165 minutos, uma loucura para a época.
Podemos tentar avaliar o impacto dos filmes de Griffith sobre os espectadores de seu tempo, mas não conseguimos deixar de vê-los com olhos de hoje. Pelos padrões dos anos 2000, O Nascimento de Uma Nação é ideologicamente repulsivo, um monumento ao politicamente incorreto. Mas temos que considerar que sem Griffith, o cinema teria tomado outro rumo, ou um mais tortuoso pelo menos. Ele pensou o cinema como arte e indústria e chegou a conclusão de que o cinema necessita de um suporte industrial. Pensando assim, Griffith junto com Chaplin e mais dois sócios (foto abaixo) fundam a United Artists, introduzindo nas produções hollywoodianas as idéias e ambições de artistas independentes.











