17.3.06

Griffith - Bom Dia, Babilônia.



Há quem sustente que a história do cinema começou com ele. David Llewelyn Wark Griffith nasceu em La Grange, no Kentucky, em 1875. Realizou obra notável, foram 450 filmes, verdadeiras lições de linguagem, nas quais desenvolveu técnicas narrativas que ainda hoje são empregadas no cinema e na televisão.

Pode ser que muitas coisas já aparecessem, dispersas pelos filmes de um ou dois rolos que surgiam às centenas naqueles primeiros anos em que o cinema apenas engatinhava. O mérito de Griffith, como nos fala Luiz Carlos Merten, é o de sistematizar e integrar à produção hollywoodiana todas essas novidades que andavam esparsas.

Griffith percebeu que o movimento da câmera, a diferença de planos, podia conferir intensidade dramática ao relato; lição absorvida de seu mentor Edwin S. Potter. O objetivo principal de Griffith era narrativo, ele queria contar histórias e para isso teve de dominar a linguagem e propor coisas novas aos espectadores.

Criou o flashback em The Adventures of Dolly, introduziu o plano americano em For Love Gold, desenvolveu o princípio da montagem paralela em The Lonely Villa – onde as cenas de um personagem se alternam com a de outro até eles se encontrarem. Quando iniciou a rodagem de O Nascimento de Uma Nação (seu destaque), ele já era veterano. Com este filme - ideologias a parte - ele criou o que não deixa de ser uma metáfora do nascimento do próprio cinema; consolidou a revolução que já vinha desenvolvendo e estabeleceu um padrão de narrativa. Foram 1500 planos, numa duração de 165 minutos, uma loucura para a época.

Podemos tentar avaliar o impacto dos filmes de Griffith sobre os espectadores de seu tempo, mas não conseguimos deixar de vê-los com olhos de hoje. Pelos padrões dos anos 2000, O Nascimento de Uma Nação é ideologicamente repulsivo, um monumento ao politicamente incorreto. Mas temos que considerar que sem Griffith, o cinema teria tomado outro rumo, ou um mais tortuoso pelo menos. Ele pensou o cinema como arte e indústria e chegou a conclusão de que o cinema necessita de um suporte industrial. Pensando assim, Griffith junto com Chaplin e mais dois sócios (foto abaixo) fundam a United Artists, introduzindo nas produções hollywoodianas as idéias e ambições de artistas independentes.
Bom Dia, Babilônia - título do tópico - é um belíssimo filme sobre bastidores do mundo do cinema com direção dos consagrados Irmãos Taviani. No qual em busca de uma vida melhor, os irmãos Nicola e Andrea imigram para os Estados Unidos. Acabam trabalhando em Hollywood na construção dos cenários suntuosos de Intolerância, épico de Griffith. Com o início da Primeira Guerra, a tragédia marcará para sempre o destino dos irmãos, que lutam em lados opostos.

15.3.06

Jardim das Delícias.


Navegando pela internet certa noite me deparei com um tríptico que me chamou a atenção. Batizado de Jardim das Delícias por seu idealizador El Bosco como é conhecido na Espanha. Essa obra expressa de maneira satírica e moralizante o destino da natureza humana.
Falando sobre o artista. Hyeronimus Bosch (1450-1516), nasceu em Hertogenbosch, Holanda. Foi precursor do surrealismo com quatro séculos de antecipação, satirizou o mundo de sua época com agudo senso crítico por meio de diversas visões oníricas repletas de seres estranhos. Existem cerca de 40 obras originais de Bosch, compostos de pinturas e gravuras espalhadas por museus dos Europa e EUA. Sua obra carrega uma intenção moralizante, própria da época, na qual o pecado é elemento constante.
Nas telas de Bosch nada é estático, e por isso estimulam a imaginação de quem as observa. Algumas vezes são finalizadas com elaborados detalhes, noutras não passam de caricaturas. Ao observar suas obras você percebe que sempre há coisas novas a serem descobertas. Isto porque o artista, como a maioria do início da Idade Média, tinha "horror ao vácuo" originado em um medo artístico de espaços vazios.
A obra que leva o título do tópico é classificada como gótica, e esta em esposição no Museu Nacional Do Prado, em Madri. o Tríptico faz relação entre o bem e o mal; fechado representa a criação do mundo, aberto e a esquerda está o paraíso terrestre, e incluido nele encontra-se o perigo oculto. O Éden está repleto de animais, bons e maus; sapos e figuras de aspecto demoníaco convivem com unicórnios, cervos, uma girafa e um elefante. Os animais caçam uns aos outros, mas a sensação é de total harmonia. Como um espelho, o painél da direita representa a exata antítese desse mundo de felicidade e compreensão, o Inferno Musical, com a punição dos pecadores no inferno; o que conduz ao painél central , o Jardim das Delícias, um mundo mergulhado nos prazeres e no vício da carne, desviado dos ensinamentos da igreja. Esta é a pintura mais famosa de Bosch.
Saiba mais sobre Bosch aqui.


Cidade Amiga da Amazônia.


Atualmente, a maior parte da madeira amazônica é produzida de forma ilegal e predatória. Quem extrai madeira ilegalmente não paga impostos, remunera mal seus empregados e invade áreas públicas ou protegidas para conseguir matéria-prima. Essa madeira, proveniente de extração irregular ou de desmatamentos não-autorizados, é muito mais barata do que a madeira produzida em planos de manejo sustentável, que demandam conhecimento técnico, documentação regular e responsabilidade social. Assim, a madeira de origem ilegal domina o mercado por conta da abundância e do preço baixo, inviabilizando a as chances de concorrência da madeira de manejo.
O Greenpeace tem um programa chamado Cidade Amiga da Amazônia, que tem como objetivo criar uma legislação municipal que elimine a madeira de origem ilegal e de desmatamentos criminosos de todas as compras municipais. Com isso, o programa deve ajudar a criar condições de mercado para a madeira produzida de forma sustentável na Amazônia.
Qualquer município que tenha interesse pode participar do Cidade Amiga da Amazônia. A participação é voluntária. Todas as informações sobre o programa estão disponíveis neste site ou em um kit impresso ou ainda em CD-ROM. Basta fazer a solicitação ao Greenpeace.
Ao se tornar Cidade Amiga da Amazônia, sua cidade estará contribuindo de forma concreta para mudar este quadro, já que deixará de incentivar a indústria madeireira que destrói ilegalmente a Amazônia e passará a beneficiar empresários que estão realmente comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região.
E é você quem deve fazer isso, entre em contato com alguma ONG ou alguma instituição ambiental de sua cidade, como o IBAMA. Se você tiver algum conhecido ligado a prefeitura da cidade melhor ainda. Leia o que o Greenpeace disponibiliza no site, lá tem todas as informações. Apresente o projeto para a prefeitura de sua cidade e fique em cima, participe das reuniões, cobre do município, é seu dever.
Assista ao vídeo comercial do programa aqui.



A vioência humana.


Violência é uma coisa que me tira do sério, desde uma briga de bar até violencia internacional, são atitudes de pessoas que talvez tenham que rever seus conceitos. Mas de onde vem a violência? Será ela instintiva ou consciente?

Pensando sociológicamente, chamamos de violência à agressão premeditada, sistemática e por vezes mortal de um indivíduo ou grupo sobre outro. Definida dessa maneira, essa violência só pode ser encontrada entre nós - seres humanos. Pois os ataques entre animais não tem um caráter particular, individual ou de premeditação como a violência praticada pelos homens; pelo contrário, nos animais esse processo de enfrentamento e disputa desenvolve-se de forma natural e instintiva.

E de onde vem essa atitude violenta do ser humano? Bem, segundo estudos de sociólogos e historiadores, a escassez de bens é a fonte de maior conflito entre os homens. Segundo Hobbes, Marx e Engels; a origem dos conflitos e da violência remonta às organizações humanas mais primitivas. A revolução agrícola transformou radicalmente as relações dos homens entre sí e com o meio, introduzindo aspectos novos de organização social. O surgimento da agricultura fez com que o homem passase de nômade a sedentário, e com isso trouxe a noção de territótio e propriedade. Então, à medida que a agricultura se generalizava, a disputa pelas terras férteis colocou os grupos humanos uns contra os outros; com isso a guerra, a conquista, a defesa tornaram-se atividades permanentes de manutanção de propriedades e defesa dos direitos adiquiridos. Portanto, a manutenção de direitos, a conquista de bens e a punição de atitudes consideradas nocivas pela sociedade representam a origem de uma atitude permanente de agressão e defesa que marcará todas as sociedades humanas. Cada uma delas vai procurar, por antecipação, armar-se e desenvolcer estratégias guerreiras contra seus inimigos potenciais. Para ajudar a piorar a situação, nosso vergonhoso sistema capitalista, com sua natureza expansionista por exelência, desenvolveu ao máximo os recursos bélicos.

Os anos posteriores à Segunda Guerra Mundial foram difíceis para o mundo todo que cindia-se em dois - os partidários dos regimes comunistas e os partidários do capitalismo industrial - URSS e EUA. Nessa época eclodiram inúmeros conflitos internacionais: a Revolução Cubana, a Guerra da Coréia, a do Vietnã, a invasão da Hungria e da Tchecoslováquia. Claro que os grandes clientes dessa indútria bélica foram os Estados; calcula-se que 30% dos pesquisadores de todo o mundo dedicaram-se a descoberta de formas mais eficientes de agrassão e defesa, e que 40% dos gastos das nações tenham sidos militares. Apesar de tudo, a Organização das Nações Unidas (ONU) vem tentado desenvolver campanhas pela paz no mundo, procurando estimular relações pacíficas entre as nações e ampliar as possibilidades de negociação. Praticando a Cultura de Paz pretende-se estimular a sedimentação de valores, comportamentos, modos de vida relativos à solidariedade, tolerância e convivência.

O que se pode perceber com nitidez é que, para além da violência entre nações, cresce a violência no interior de cada país, em especial nos países pobres, em que a instabilidade, a descrença nos poderes públicos e a sensação de abandono e insegurança são mais acentuadas (identifica-se?). Com relação a briga de bar que falei lá em cima, na medida em que a esfera da vida privada tende a ser invadida pelos meios de comunicação de massa, as agressões interpessoais se tornam conhecidas e são divulgadas em chamativas manchetes de jornal. Esse comportamento é incentivado pelo individualismo da sociedade contemporânea, que analisa cada questão como resultante de necessidade e anseios absolutamente pessoais e únicos, com isso a violência passa a ser cada vez mais um recurso, e quase nunca o último. Outra questão atual que vem induzir à acão violenta é o constante apelo ideológico ao desenvolvimento da personalidade competitiva e ambiciosa, como elemento necessário à realização pessoal. Não é preciso mencionar de que maneira a cultura de massa estimula posturas agrassivas ao criar os mitos da comunicação - os super-homens, as superquadrilhas e os superassassinatos - basta ligar sua TV na Globo.

Reflitam sobre isso, chega de rezar e pedir à Deus que nos ajude, o único responsável pelo caminho que segue o mundo em que vivemos somos nós mesmos.Cabe ao homem refletir sobre seus atos, reconhecer seus erros e seguir o melhor caminho: a Cultura de Paz.

Cultura de Paz significa respeitar a vida, rejeitar a violência, ser generoso, ouvir para compreender, preservar o planeta e redescobrir a solidariedade.

*referência: COSTA, Cristina. Introdução à ciência da sociedade. São Paulo. Moderna, 1997.


14.3.06

Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?


Vinicius de Moraes, o sublime poeta do cotidiano, autor de 400 poesias e 400 letras de músicas, está de volta em filme dirigido por Miguel Faria Jr. e produzido por Susana de Moraes.

Para celebrar a vida e a obra de um criador multifacetado – autor teatral, poeta, parceiro dos nomes mais importantes da MPB e, acima de tudo, um iluminado personagem da história cultural do país - o diretor reuniu um elenco de parceiros, intérpretes, amigos e raras imagens de arquivo que relembram a genial simplicidade de Vinicius com a espontaneidade, humor e liberdade de quem conversa em uma mesa de bar, exatamente como gostaria o eterno Vinicius.
Nascido em 1913 no Rio de Janeiro de família de classe média, Vinicius de Moraes foi testemunha e personagem de importantes transformações na cidade e desenvolveu um dos percursos mais originais e fecundos da cena cultural brasileira do século XX.
Assista ao trailer do filme aqui.
Um de seus poemas - A bomba atômica.

Astro Rei.


Não confunda brilho do ouro com brilho do Sol,
pois sem a luz do Sol o ouro nunca brilhará.

Um artista da fome.

Este conto escrito em 1925 por Franz Kafka aborda os absurdos de uma sociedade opressiva, ilógica e injusta. Tem como protagonista um mestre do jejum, que a princípio apresenta sua arte e é retribuído pelo público: “... o interesse aumentava a cada dia de jejum, todos queriam vê-lo ao menos uma vez por dia...”. No entanto, com o passar do tempo ele não é mais visto com tanto entusiasmo, acaba por ser exposto ao escracho público numa jaula de circo, onde vê sua arte sendo desvalorizada a cada dia.

O jejum para ele ultrapassava o simples espetáculo que promoviam seus empresários, com o intuito de chamar a multidão e ganhar dinheiro – “... durante quarenta dias, valendo-se de toda espécie de anúncios que fossem concentrando o interesse, podia talvez despertar progressivamente a curiosidade do povo, mas passado esse prazo o público negava-se a visitá-lo...”. Para o artista jejuar era alimentar a alma, a qual ele lutou para salvar até o fim de seus dias.

Prestes a morrer, dentro de sua jaula já esquecida próxima aos animais do circo, ele pede desculpas às pessoas que o observavam com desdém, afirmando que: “não havia encontrado o alimento que apreciava". O que Kafka quer expressar com essa parábola é que o artista tem uma responsabilidade que excede as necessidades naturais - a responsabilidade de sua alma. O alimento que não lha apetece é o desdém tanto do público quanto do empresário perante o artista, que ao tentar expor sua obra não é entendido.

O autor conta que após a morte de seu artista da fome, a jaula é ocupada por uma pantera que fascina e perturba o público, devido à liberdade expressada por seus movimentos e rugidos – “... a alegria de viver brotava com tão forte ardor de sua garganta que não era fácil aos espectadores fazer-lhe frente. No entanto venciam o próprio temor, apertavam-se contra a jaula e de modo algum queriam afastar-se dali."
Com a pantera é que devemos tomar cuidado, para que ela não coma o resto de arte que nos resta, pois sua fome é muito maior que a de nossos artistas brasileiros.

Um artista da fome - Franz Kafka

O cinema e seu início.


O cinema, como arte centenária, é o único com atestado de nascimento, dia, hora e local – 28 de dezembro de 1895, no salão Indien, localizado no subsolo do Grand Café de Paris, no Boulevard des Capucines, às 21 horas. Mas antes disso, o cinema já possuia uma história anterior a célebre data que os irmãos Lumière fizeram a primeira sessão pública do evento que chamaram de "cinematógrafo". Sua origem mais antiga, segundo José Saramago em Janela da Alma, seria a Caverna de Platão, onde os homens viam somente a sombra da realidade refletida nas paredes da caverna. Passando por inventos como a lanterna chinesa, a câmera obscura e não parando de evoluir. Cruzando o séc. XIX na forma de pesquisa e aprimoramento das técnicas de reprodução.
Segundo o crítico André Bazin, para compreender a evolução do cinema é preciso perceber que: o que todas elas perseguem, da fotografia ao fonógrafo, é o realismo integral, ou seja, a recriação do mundo à sua imagem, sem lugar para interpretação do artista. Essa janela para o real se consolida desde os primeiros filmes dos Lumière, como o registro da chegada de um trem à estação de La Ciotat, ou a saída dos operários das Usinas Lumière em Lyon; marcando o cinema como invento voltado ao desenvolvimento científico. A base do pensamento dos irmãos Lumière, ao criarem o cinematógrafo, está profundamente vinculada ao grande desenvolvimento tecnológico que o período histórico do fim do séc. XIX experimentava na Europa.

Somente mais tarde, com George Méliès, que a fantasia como conhecemos hoje através do conceito Hollywoodiano, vai ser incorporada à arte cinematográfica. O mágico Méliès se apropria da invenção dos Lumière e cria pequenos filmes como a sua Viagem à Lua, de 1902; buscando desenvolver a capacidade de entretenimento e de criação de mundos fantásticos, afastando-se do mito fundador, que Bazin chamava de realismo integral. Cunham-se, assim, desde o início do cinema, duas vertentes: a realista dos Lumière e a fantástica de Méliès.

Apesar da grande produção logo de início, o cinema só vai dar um salto qualitativo com os diretores Griffith e Eisenstein.
*Referência:MERTEN, Luiz Carlos. Cinema: entre a realidade e o artifício. ed. Artes e Ofícios. 2003.

Parem com isso!


Realmente é uma vergonha o que o ser humano vem fazendo com seu planeta. Onde vamos parar? Será que estes ignorantes não percebem que não somos nada se comparados à Terra, que nós pertencemos a ela e não o contrário? Acho que a mãe Terra deve julgar-nos hoje em dia como predadores. Sinto vergonha.
Organizações como o Greenpeace (veja a matéria a baixo) fazem sua parte, mas não basta! Cada indivíduo tem de ter a cosciência de que se não preservarmos nosso planeta seremos varridos do globo sem a menor cerimônia. Plante árvores, jogue seu lixo no lixo, não polua, cuide de você e do que realmente faz você estar vivo e saudável.
Talvez se alguns se preocupassem menos com o carro novo que pretendem comprar ano que vem e refletissem sobre um modo de melhorar a sua essência, sua passagem pela Terra, iriamos ser realmente felizes. Chega de reverenciar dogmas e religiões que te fazem cada dia ser mais medíocre, Nosso Deus não é aquele que esta pregado na cruz cheio de ornamentos, não é aquele que vai chegar e sim este que esta aqui. Nosso Deus, pelo menos o meu, está em nós mesmos, no Sol que nasce todo dia, na natureza que se renova num ciclo infinito, no Universo. Somos Uno. Cabe a nós nos conectarmos a ele.

Matéria sobre o desmatamento clandestino que, infelizmente, ainda ocorre em nosso país:

:: Greenpeace entrega à PF madeira que diz ser ilegal ::
19/12 - 16:44

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo ambientalista Greenpeace entregou à Polícia Federal de São Paulo, nesta segunda-feira, um lote de madeira que o grupo alega ter sido comprado ilegalmente na Amazônia e transportado para a capital paulista com documentos oficiais.
A madeira foi extraída dos municípios de Cujubim e Machadinho D'Oeste, no nordeste de Rondônia. Uma carga de toras foi comprada por 4.600 reais, e o grupo afirmou que os documentos de compra e transporte da madeira foram obtidos por meio de um atravessador.
"Alguns ativistas se apresentaram como compradores de madeira e realizaram o negócio. Nosso objetivo foi mostrar como o atual sistema de controle viabiliza isso", afirmou Rebeca Lerer, coordenadora da campanha da Amazônia do Greenpeace.
A assessoria de imprensa da Polícia Federal informou que será aberto um inquérito para investigar as informações levadas pelo Greenpeace.
"O Ibama vai determinar o destino dessa madeira, porque a PF não tem nem estrutura para ficar com ela. A Polícia Federal vai apreender as notas, os documentos e será feita uma perícia para a instalação de um inquérito", disse um assessor da polícia.
A investigação será dirigida pela Delemaph (Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico) da PF e utilizará a lei de crimes ambientais como base.
"Existe uma ilegalidade generalizada naquela área de Rondônia. Apesar de existirem algumas autorizações (para extração de madeira), há muitas outras áreas sem autorização que continuam extraindo. Essas toras que compramos não tinham comprovação de origem", explicou Rebeca Lerer.
O Greenpeace entregou à polícia 29 metros cúbicos de tábuas de angelim, que somam aproximadamente 30 toneladas de madeira que os ambientalistas alegam ser ilegal.
(Por Denis Eduardo Serio)